Feira livre no final de linha do bairro de Cosme de Farias.

Em 1913, sob pressão mais forte da carestia, o Conselho Municipal votou uma Indicação que visava a rebaixar os preços mediantes estabelecimento de feiras livres isentas de impostos, cessão de cômodos gratuitos no Mercado Municipal e redução de 40% dos impostos para quem vendessem carne verde, charque,açúcar,farinha,cebola,feijão,toucinho,arroz,milho,bacalhau,batata e café por preços previamente fixados.

Assim, dos alimentos de consumo geral devem ser incluídos o café, o açúcar, mas a população de menor renda, podia, associado ao pão ou farinha de mandioca, substituir o almoço e o jantar e são imprescindíveis à sobrevivência da maior parte da população: carne verde, charque, feijão, bacalhau, farinha de mandioca , pão, café, açúcar e ainda, banha e sal.
O charque, o bacalhau e a carne verde eram gêneros que alternavam no consumo básico, nas camadas médias menos favorecidas e no proletariado, o leite tinha caráter quase medicinal: alimento de velhos doentes e criancinha
No contexto histórico dos anos de 1910 parecem ter sido típicos de incubação de revoltas populares, desde 1911 a inquietação perante a carestia dos gêneros já se manifesta: no dia 19 de outubro, Cosme de Farias encabeçava uma passeata, após a qual houve um comício. Ao Intendente foi entregue uma petição contra o custo de vida. Cosme de Farias continuava como o líder mais querido da cidade e dirigiu o movimento na qualidade de presidente do Comitê Popular Contra a Carestia da Vida, eleito por aclamação. A convocação para o ¨comício - monstro¨ de 1913 dirigiu-se principalmente ás profissões do proletariado e a camada baixa das classes médias que, diante da questão de subsistência, agiam numa frente única, entretanto, nas 25 reuniões do Comitê Popular Contra a Carestia da Vida, as discussões assumiram um teor bem mais imediato e se transformaram em acusações diretas ao governador e a comerciantes. Até mesmo o Presidente Cosme de Farias, de linguagem mais comedida, usava de termos como ¨ ladrões do povo¨ e¨gatunagem¨ao se referir a comerciantes de alimentos e a proprietários de imóveis alugados. Os movimentos contra a carestia eram dotados de uma dramaticidade incomparável: provocando aglomerações e deslocamento de pessoas por toda cidade, nas ruas, os protestos adquiriram um colorido que esmaecia quando se realizavam nos recintos fechados das empresas , mais do que tudo, aqui não se falava em melhoria de condições de trabalho, mas na fome. Sem dúvida, a frase O povo tem fome, em punha como bandeira em uma passeata, tinha impacto considerável. No final, o grito dos oprimidos pela sobrevivência expressou momentos de grande tensão social na Salvador da Primeira República.

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